quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Carla Arend

era sábado e chovia. noite e frio. fui na locadora e tinha um desses que nunca se sabe de que país da américa latina são - esses pirofagistas cheios de dreads e roupas e lenços e barbas e cheiros de marijuana - rindo no meio da rua. ofereci espaço no guarda-chuvas e ficamos um tempo conversando. era peruano, tinha olhos lindos. eu morava sozinha. estava, absurdamente sozinha. que mal convidá-lo pra jantar? convida-não-convida, afinal, eu falava espanhol! não convidei. ele voltou pro meio da rua e eu fui pra minha casa quente e colorida e vazia.
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Carla Arend

eu de manhã na bienal admirando um vídeo-arte, sentada, com os fones e um moço do lado. eu saio da sala e o moço vai junto. eu vou pro café do margs e o rapaz pede pra dividir a mesa. até hoje não sei o nome, só lembro do almoço cheio de risadas, das conversas perdidas sobre as tatuagens e infâncias, do tapete muito branco da sala dele, do pé direito alto e dos quadros que ele disse que nunca ia acabar de pintar.
até hoje penso que foi sonho.
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